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Instituto Clima e Sociedade lança edital para projetos que usam IA

Processo de seleção

O processo de escolha dos projetos será dividido em quatro etapas principais. A primeira consiste na triagem técnica e legal das propostas. Em seguida, haverá uma pré-seleção feita por um júri especializado, que escolherá entre 14 a 21 projetos. Esses projetos passarão por uma fase de mentoria com duração de quatro semanas, durante a qual os proponentes terão a oportunidade de aprimorar suas ideias com apoio técnico e estratégico.

Após essa mentoria, haverá a seleção final, em que o júri escolherá entre cinco a sete projetos para receber o financiamento. Além disso, o iCS se reserva o direito de selecionar diretamente dois projetos adicionais, sem passar pela fase de mentoria, totalizando assim os nove projetos apoiados.

A divulgação dos projetos pré-selecionados será feita até o dia 12 de junho, e a lista final dos projetos aprovados será anunciada no dia 26 de setembro.

A iniciativa tem chamado atenção também pela magnitude do investimento. Segundo o iCS, essa é a maior doação já feita pelo Google.org voltada a projetos de sustentabilidade na América Latina. A diretora de Marketing do Google no Brasil, Maia Mau, destacou que a tecnologia tem um grande potencial para acelerar soluções climáticas e promover o uso sustentável dos recursos naturais.

Segundo ela, com o apoio do Google.org, a expectativa é incentivar projetos que combinem inovação com impacto ambiental positivo, respondendo a desafios como a conservação da biodiversidade e o avanço da agricultura regenerativa. Ela também demonstrou entusiasmo em acompanhar a iniciativa e observar como os projetos selecionados poderão transformar essas áreas e gerar benefícios duradouros para o Brasil e o mundo.

Pilares estratégicos

O edital do iCS foi criado com três pilares principais, escolhidos por sua importância para o clima no Brasil e por seu potencial de gerar grandes impactos positivos. Veja um resumo de cada um:

Proteção da biodiversidade

O Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. No entanto, 7 milhões de hectares que estão se regenerando naturalmente podem ser desmatados. Proteger essas áreas é essencial, pois pode gerar mais de 5 milhões de empregos, retirar 4,3 bilhões de toneladas de CO₂ da atmosfera e movimentar cerca de R$ 776,5 bilhões na economia. A tecnologia pode ajudar a tornar essa meta mais viável.

Bioeconomia

A bioeconomia propõe que a natureza seja usada para impulsionar o desenvolvimento econômico, mas de forma sustentável e responsável. Essa ideia combina geração de renda, inovação e preservação ambiental. Estima-se que investimentos nessa área possam criar 833 mil empregos até 2050 e ajudar a conservar mais de 81 milhões de hectares de florestas. Esse modelo pode ser uma solução para o crescimento sustentável da Amazônia e de outras regiões ricas em biodiversidade.

Agricultura regenerativa

Esse tipo de agricultura busca recuperar o solo e os ecossistemas, tornando a produção mais eficiente e menos prejudicial ao meio ambiente. Além de aumentar a produtividade, pode reduzir em 25,7% as emissões de gases do efeito estufa até 2035. Outra vantagem é que transforma áreas degradadas em terras produtivas, evitando mais desmatamentos. Dessa forma, une ganhos econômicos e ambientais.

O iCS destaca que o uso de inteligência artificial e outras tecnologias pode ser essencial para alcançar essas metas. Acredita-se que essas ferramentas ajudarão o Brasil a reduzir suas emissões de gases poluentes — 66% até 2030 e zerar até 2050 —, garantindo também benefícios para comunidades e agricultores que dependem diretamente da terra.

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