A conta de luz dos brasileiros vai embutir R$ 46,8 bilhões em subsídios em 2025. O valor foi aprovado na última terça-feira, 15 de julho, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como parte do orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia uma série de benefícios no setor elétrico.
O orçamento total da CDE para 2025 foi fixado em R$ 49,2 bilhões. Desse valor, mais de 95% será pago diretamente pelos consumidores de energia elétrica, por meio de encargos cobrados nas tarifas. Isso representa um aumento de 32,4% em relação ao valor de 2024.

Os encargos que compõem a CDE estão presentes nas contas de luz de todos os brasileiros, mesmo sem aparecerem com destaque nas faturas. Eles são usados para financiar benefícios, incluindo a Tarifa Social para famílias de baixa renda.
Também há incentivos à energia renovável e descontos para produtores rurais. Além disso, cobrem o custo do combustível em regiões isoladas. Nessas áreas, não há conexão com a rede elétrica nacional.
Quase todo o valor será pago pela população
A Aneel informou que R$ 46,8 bilhões sairão diretamente do bolso dos consumidores, por meio dos encargos embutidos nas contas de energia. O restante do orçamento virá de outras fontes, como multas aplicadas pela própria agência.
Entre os principais itens que compõem esse valor, estão:
- Tarifa Social: o benefício voltado para famílias de baixa renda terá custo de R$ 4,8 bilhões, com aumento de 26,6% em comparação com 2024;
- Geração Distribuída (CDE-GD): painéis solares em residências e empresas vão gerar um custo de R$ 5,48 bilhões para o sistema, um aumento de 118% em relação ao ano passado;
- Subsídios a fontes incentivadas: como energia solar, eólica e de biomassa, que têm desconto na tarifa e repasse de custos para todos os consumidores;
- Energia para áreas isoladas: principalmente comunidades na região Norte, que ainda dependem de geradores a diesel para ter eletricidade;
- Descontos para produtores rurais irrigantes e uso de carvão mineral.
Todos esses custos são bancados por quem paga conta de luz, seja pessoa física ou empresa. Mesmo que o consumidor não faça uso direto de nenhum desses benefícios, ele ajuda a financiá-los ao pagar a tarifa cheia.
De acordo com a Aneel, o aumento desses valores tem várias causas. Isso inclui mudanças no cálculo das despesas, mais adesão a programas incentivados e a necessidade de equilibrar o sistema. Também houve crescimento nos descontos tarifários aplicados na distribuição (34%) e na transmissão (31%).