Desinformação e resistência conservadora
Não podemos deixar que esse momento, de enorme relevância para a maior parte da população brasileira, seja sequestrado pela ala conservadora e preconceituosa. Nas redes, essa resistência tem promovido uma campanha de má-fé, apelidando o texto de “PEC dos pardos” — uma tentativa de desqualificar a proposta, insinuando que redefine identidades raciais. Trata-se de uma mentira.
Cabe lembrar: pretos e pardos já são reconhecidos como negros em lei desde 2010. Portanto, a PEC não cria nenhuma novidade nesse sentido. A aprovação da proposta simboliza uma mudança de mentalidade no poder público: a de que a luta contra o racismo e a desigualdade não pode mais se limitar a discursos, mas precisa se traduzir em ações concretas e orçamentos garantidos.
É a política pública se tornando instrumento de justiça social. É a União assumindo sua responsabilidade de investir naqueles que, historicamente, foram marginalizados. O progresso de uma nação se mede pela forma como ela trata os seus mais vulneráveis. E, nesse caso, a PEC da Reparação é o indicativo de que estamos, finalmente, caminhando para enfrentar uma dívida histórica. Afinal de contas, depois de reparar, é preciso equiparar.


