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PEC da Reparação: um passo além do julgamento de Bolsonaro

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Desinformação e resistência conservadora

Não podemos deixar que esse momento, de enorme relevância para a maior parte da população brasileira, seja sequestrado pela ala conservadora e preconceituosa. Nas redes, essa resistência tem promovido uma campanha de má-fé, apelidando o texto de “PEC dos pardos” — uma tentativa de desqualificar a proposta, insinuando que redefine identidades raciais. Trata-se de uma mentira.

Cabe lembrar: pretos e pardos já são reconhecidos como negros em lei desde 2010. Portanto, a PEC não cria nenhuma novidade nesse sentido. A aprovação da proposta simboliza uma mudança de mentalidade no poder público: a de que a luta contra o racismo e a desigualdade não pode mais se limitar a discursos, mas precisa se traduzir em ações concretas e orçamentos garantidos.

É a política pública se tornando instrumento de justiça social. É a União assumindo sua responsabilidade de investir naqueles que, historicamente, foram marginalizados. O progresso de uma nação se mede pela forma como ela trata os seus mais vulneráveis. E, nesse caso, a PEC da Reparação é o indicativo de que estamos, finalmente, caminhando para enfrentar uma dívida histórica. Afinal de contas, depois de reparar, é preciso equiparar.

Sobre o autor Edu Carvalho

Jornalista e apresentador. Com mais de uma década na comunicação, passou pela Globo, CNN, Revista Época. É colunista em Ecoa UOL e Projeto Colabora. Filho da Rocinha, cria do mundo.

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