Raça, gênero e escolaridade moldam o mercado de trabalho
Os dados do IBGE mostram que, desde 2012, mulheres negras apresentam as maiores taxas de desemprego, de subutilização e de informalidade. Em 2022, por exemplo, 30,4% das mulheres negras estavam subutilizadas, ou seja, trabalhavam menos horas do que gostariam, tinham disponibilidade para trabalhar, mas não conseguiam uma vaga adequada. Entre homens brancos, essa taxa era de 19,2%.
No desemprego, o contraste também é expressivo: em 2022, a taxa era de 13,9% para mulheres negras, segundo a PNAD Contínua, enquanto para homens brancos era de 6,2%.
A escolaridade ajuda a reduzir o risco de pobreza, mas não o elimina. Os dados da SIS 2025 apontam que:
- Trabalhadores com ensino fundamental incompleto tinham taxa de pobreza de 23,3%;
- Com ensino médio completo, o percentual diminui, embora ainda relevante;
- Com ensino superior, cai para 1,6%.
Ainda assim, mesmo entre pessoas com ensino superior, a informalidade continua presente: 24,3% deles estavam em ocupações informais em 2024. Isso mostra que a educação melhora as oportunidades, mas não corrige sozinha as desigualdades estruturais do mercado de trabalho brasileiro.
A composição racial também reaparece na renda. Pessoas negras recebem menos que pessoas brancas mesmo com escolaridade equivalente.


