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Público 50+ movimenta R$ 2 trilhões em beleza e moda

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O avanço da população com mais de 50 anos no Brasil está mudando o perfil de consumo em setores como beleza, saúde e moda. Esse grupo, que já representa cerca de 56 milhões de pessoas (26% da população), movimenta aproximadamente R$ 2 trilhões por ano em consumo de bens e serviços. Segundo dados do Instituto Locomotiva e da consultoria Data8, essa fatia deve chegar a 35% do total consumido no país até 2044, com um impacto estimado de R$ 3,8 trilhões.

Essa movimentação financeira coloca o público 50+ como prioridade estratégica para diferentes setores. Globalmente, a chamada “economia prateada” já alcança US$ 7,1 trilhões, posicionando-se como a terceira maior economia do mundo. No Brasil, o mercado responde com ajustes em produtos, atendimento e linguagem para atender a uma base de consumidores que tem renda mais estável e critérios específicos na hora da compra.

Consumo do público 50+ influencia os mercados de beleza e moda
Consumo da população acima de 50 anos cresce no Brasil e força empresas a adaptar produtos, comunicação e serviços; expectativa é que mercado chegue a R$ 3,8 trilhões até 2044 | Foto: Reprodução / Canva

Os consumidores dessa faixa etária priorizam clareza nas informações, eficiência dos produtos e atendimento direto. A compra por impulso é rara; em vez disso, há uma escolha baseada em utilidade, resultados e custo-benefício. A preferência é por itens que entreguem exatamente o que prometem, com menos foco em modismos.

Beleza e saúde lideram consumo; moda passa por ajustes

Beleza, perfumaria e cuidados com a saúde lideram o ranking de consumo entre os maiores de 50 anos. Esses segmentos superaram a moda e os acessórios, que antes ocupavam o primeiro lugar nas preferências. As marcas têm respondido com o lançamento de linhas mais específicas. A Natura, por exemplo, lançou produtos voltados para peles acima dos 70 e 80 anos. Desde 1986, a empresa desenvolve soluções para esse grupo, como as linhas Chronos e Renew, e agora amplia esse foco.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), 83% das mulheres com mais de 60 anos consideram importante manter cuidados com a beleza. Já 90% afirmam preferir produtos formulados especialmente para sua idade. Esse comportamento mostra um consumidor atento e interessado, com expectativas bem definidas.

Os homens também passaram a ter presença mais forte nesse mercado. Dados mostram que os com mais de 50 anos já respondem por 39% do consumo em beleza, número que desafia antigos padrões e pressiona a indústria por soluções que também os incluam.

Na moda, a principal mudança está na prioridade ao conforto, à funcionalidade e ao corte adaptado ao corpo com o passar do tempo. Há uma demanda por peças com tecidos adequados, modelagens ajustadas e design pensado para facilitar o uso no dia a dia. A estética segue relevante, mas está ligada à praticidade.

Empresas mudam estratégias para público 50+, mas falham em representatividade

Apesar dos avanços, muitas empresas ainda não conseguem se comunicar de forma eficiente com esse público. Há resistência em adaptar campanhas, linguagem e embalagens. O preconceito contra o envelhecimento, conhecido como “ageísmo”, ainda afasta consumidores maduros, que não se veem representados ou valorizados.

Alguns exemplos mostram que mudanças são possíveis. O Banco Mercantil, após perceber o crescimento da clientela acima de 60 anos, reformulou seus serviços e comunicação para atender melhor os aposentados. A ação gerou resultados positivos e fidelizou o público.

A consultora Jacqueline de Biase, especialista em comportamento de consumo, afirma que as marcas que ignoram o público 50+ deixam de acessar um mercado em expansão. Segundo ela, essa parcela da população tem patrimônio acumulado, estabilidade financeira e influência nas decisões de compra da família — além de buscar relações de confiança com as empresas.

O crescimento desse público e sua relevância econômica exigem mudanças estruturais no mercado. Produtos precisam ser funcionais, a comunicação deve ser direta e o atendimento deve considerar necessidades específicas. Atender bem essa população deixou de ser diferencial: passou a ser exigência para marcas que querem crescer nos próximos anos.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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