Índice de Recuperação mostra estabilidade
O levantamento também aponta uma pequena variação no Índice RGF de Recuperação Judicial (IRJ-RGF), que mede a proporção de empresas em recuperação a cada mil em atividade. O indicador passou de 1,98 para 1,97. Essa leve queda não significa melhora no quadro, mas sim que houve um aumento no número total de empresas registradas no país — cerca de 61 mil novas no trimestre.
Em outras palavras, o índice caiu porque a base de comparação cresceu, e não porque menos empresas precisaram recorrer ao processo. Desde o início do ano, o Monitor RGF passou a apresentar também uma divisão por setores da economia.
No segundo trimestre, a agropecuária chamou atenção como o segmento mais pressionado. O número de empresas do setor em recuperação judicial saltou 13,8%, passando de 341 para 388 processos. O índice IRJ nesse grupo chegou a 11,49, o maior entre todos os setores analisados.
A indústria aparece em seguida, com 1.121 empresas em recuperação, uma alta de 0,8% no trimestre. O setor tem um IRJ de 6,33, também bastante elevado.
Já a área de construção, energia e saneamento apresentou uma leve redução de 0,9% no número de processos, totalizando 983 empresas, com IRJ de 4,01. O comércio, por sua vez, teve crescimento de 0,7%, alcançando 1.003 empresas em recuperação e índice de 1,58.
O setor de serviços continua sendo o que concentra o maior volume absoluto de processos: 1.127 companhias estão em recuperação judicial, um aumento de 2% em relação ao trimestre anterior. No entanto, quando se considera a proporção em relação ao total de empresas ativas, o índice é de apenas 0,94 — o menor entre os setores analisados.
Os dados do Monitor RGF revelam um cenário desafiador para o ambiente empresarial brasileiro em 2025. O aumento contínuo no número de companhias em recuperação judicial mostra que muitas organizações ainda enfrentam dificuldades para lidar com dívidas e manter suas operações em equilíbrio.
Ao mesmo tempo, a taxa significativa de falências entre aquelas que encerram o processo reforça que a recuperação não é apenas uma questão de renegociar valores no papel. A sobrevivência depende da execução consistente do plano e da capacidade de adaptação diante de um contexto econômico adverso.


