Como funcionava a fraude investigada?
De acordo com os investigadores, os envolvidos teriam usado mecanismos contábeis para esconder dívidas da empresa e apresentar lucros maiores do que os reais ao mercado. Um dos principais pontos da investigação envolve operações conhecidas como "risco sacado". Nesse modelo, um banco ou instituição financeira paga fornecedores em nome da empresa, que depois devolve esse valor à instituição em um prazo maior.
Segundo a Polícia Federal, o problema é que essas dívidas não apareciam corretamente nos balanços da companhia. Assim, os valores deixavam de ser registrados como débitos com bancos e instituições financeiras, o que fazia a situação financeira da empresa parecer melhor do que realmente era.
Outro foco da investigação envolve as chamadas verbas de propaganda cooperada, um modelo comum no varejo em que fornecedores ajudam a financiar campanhas de divulgação de seus produtos. A suspeita é que parte dessas receitas tenha sido registrada sem comprovação ou com valores maiores do que os efetivamente existentes.
Lucros maiores e bônus milionários
A PF afirma que os números apresentados ao mercado beneficiavam diretamente integrantes da antiga administração da companhia. Segundo as investigações, parte dos executivos recebia remunerações variáveis ligadas ao desempenho financeiro da empresa. Com resultados mais elevados nos balanços, os bônus pagos aos dirigentes também aumentavam.
Além disso, a valorização das ações poderia gerar ganhos para quem negociava os papéis durante o período em que as informações financeiras eram divulgadas ao mercado. As autoridades apontam indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.