Expansão acelerada e alta dos juros agravaram a situação financeira
Fundado em 2002, o St. Marche tornou-se uma das principais redes voltadas ao segmento premium no Estado de São Paulo. Atualmente, a empresa opera 32 lojas na capital paulista e em municípios vizinhos, além do Empório Santa Maria e de um centro de distribuição com 7.500 metros quadrados.
Nos 12 meses encerrados em março deste ano, a rede registrou vendas superiores a R$ 1,078 bilhão. Segundo a Cencosud, a fidelidade dos consumidores de alta renda e o posicionamento diferenciado da marca foram fatores determinantes para a aquisição.
Apesar do crescimento registrado nos últimos anos, a empresa passou a enfrentar dificuldades financeiras após o aumento expressivo da taxa básica de juros. Entre 2021 e 2024, o St. Marche ampliou sua operação de 21 para 32 lojas e elevou o faturamento de R$ 700 milhões para R$ 1,3 bilhão. No mesmo período, a Selic saiu de 2% para 15%, elevando significativamente os custos financeiros da companhia.
Em 2024, a rede precisou renegociar aproximadamente R$ 528 milhões em dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial. Durante esse processo, recebeu um aporte de R$ 90 milhões, realizado pelo fundo americano L Catterton, controlador de 70% da empresa, e pelo BTG, para manter as atividades.
Mesmo com as medidas adotadas, a pressão sobre o caixa continuou, provocando atrasos no pagamento de fornecedores e dificuldades no abastecimento de algumas unidades.
Caso todas as condições sejam cumpridas, a aquisição permitirá que o St. Marche continue operando sob o controle da Cencosud, grupo presente em seis países, com mais de 1.396 lojas, 68 shopping centers e cerca de 115 mil colaboradores. A expectativa é que a operação fortaleça a presença da varejista chilena no mercado brasileiro e preserve uma das principais redes de supermercados premium do país.