Escola como barreira protetora
Renan Ferreirinha apresentou a experiência do Rio de Janeiro, primeira capital brasileira a proibir celulares nas escolas. A medida, inspirada em relatório global da Unesco, foi estendida também para os intervalos e recreios.
O resultado, segundo Ferreirinha, foi expressivo: aumento de 53% na aprendizagem, redução de casos de bullying e crescimento de 40% na busca por livros. A iniciativa inspirou um projeto de lei federal que já proíbe o uso de celulares em todas as escolas do país. “A criança percebe que consegue viver sem checar o celular a cada minuto e passa a investir tempo em outras atividades”, disse.
O secretário também reforçou que a escola tem papel fundamental na formação de hábitos saudáveis. “Quando o ambiente escolar se torna livre de distrações digitais, abre espaço para o diálogo, para o brincar e para o aprendizado real”, completou.
Regulação, responsabilidade e papel das famílias
O painel também discutiu a importância de uma legislação digital que reflita a lógica do mundo físico. “O que não é permitido presencialmente não pode ser permitido no digital”, defendeu Ferreirinha.
Gabriela relatou casos investigados pelo Ministério Público em que adolescentes transmitiram violência extrema ao vivo ou incentivaram automutilação. Para ela, a aprovação do PL 2628 — que prevê verificação etária e restrições a algoritmos — é essencial para proteger menores de idade.
Os especialistas reforçaram ainda o papel central das famílias, lembrando que a responsabilidade dos pais é também jurídica. Becker listou sinais de alerta para vício digital, como isolamento, queda no desempenho escolar, irritabilidade e mudanças no sono e na alimentação.
Ao encerrar, Juliana Pio ressaltou que o tema exige ação conjunta: “Não é só governo, escola ou família. Marcas, anunciantes e toda a sociedade precisam se comprometer com a proteção da infância”.


