O aumento dos pedidos de recuperação judicial entre empresas do varejo ocorre em um cenário de juros altos, crédito mais caro, queda nas vendas, mudanças no comportamento do consumidor e alto endividamento. Casas Bahia, Lojas Marabraz, Zinzane, Americanas, grupos Toky, que reúne Mobly e Tok&Stok, e CVLB, formado por Casa & Video e Le Biscuit, estão entre as companhias que recorreram ao mecanismo para tentar reorganizar suas dívidas.
Entre janeiro e abril de 2026, foram registrados 268 pedidos de recuperação judicial, envolvendo 602 empresas, segundo dados compilados pela Serasa Experian. Em todo o ano de 2025, foram apresentados 977 processos, o maior número da série histórica.

Para Guilherme Augusto, CEO da BR2 Contabilidade, os juros elevados pesam principalmente sobre o crédito e o capital de giro, recurso usado pelas empresas para manter as operações enquanto aguardam o recebimento das vendas.
“O impacto aparece principalmente pelo encarecimento do crédito e do capital de giro. Empresas normalmente precisam financiar estoque, antecipar recebíveis, comprar equipamentos ou simplesmente cobrir o intervalo entre pagar fornecedores e receber dos clientes. Quando os juros permanecem elevados, todas essas operações ficam mais caras.”


