Judicialização do setor
Outro fator que impacta o setor aéreo é o ambiente judicial. O Brasil lidera em número de processos contra companhias aéreas: é registrada uma ação a cada 0,52 voos, segundo dados do Bernardi & Schnapp Advogados. Nos Estados Unidos, o índice é de um processo a cada 2.585 voos.
Especialistas avaliam que esse cenário gera custos adicionais para as empresas, que acabam sendo repassados ao consumidor no preço final da passagem.
Extensão territorial e infraestrutura limitada
O território brasileiro impõe desafios adicionais. Em rotas longas, como Belém–Brasília ou Manaus–São Paulo, os preços podem ultrapassar R$ 2 mil na ida e volta. Essas viagens demandam mais combustível e menor rotatividade das aeronaves, o que reduz a lucratividade em comparação a trajetos curtos e movimentados, como São Paulo–Rio.
Além disso, o Brasil tem baixa conectividade aérea. Apenas 2% dos municípios contam com serviço regular de voos, segundo especialistas citados pela DW Brasil. Nos Estados Unidos e Canadá, subsídios estatais ajudam a manter voos em regiões mais distantes, algo que não acontece no Brasil.
Falta de transporte alternativo
A ausência de alternativas ferroviárias também pressiona os preços. Entre Rio e São Paulo, rota mais movimentada do país, não existe trem de alta velocidade.
Na Europa, rotas similares contam com linhas de trem-bala que competem diretamente com o transporte aéreo. Esses trens conectam os centros das cidades em tempos próximos aos de voos, quando consideradas as etapas de deslocamento até os aeroportos e a espera para embarque.
No Brasil, o projeto do trem de alta velocidade Rio-São Paulo foi anunciado em 2007 e chegou a ser planejado para a Copa de 2014, mas não saiu do papel. Em 2023, a empresa TAV Brasil recebeu autorização para explorar a iniciativa, mas ainda não há previsão de início das obras.
Experiências anteriores e políticas públicas
O Brasil já teve uma empresa de perfil low cost, a Webjet, que operou entre 2005 e 2012. A companhia foi comprada pela Gol, que encerrou suas atividades alegando inviabilidade do modelo de negócios.
Mais recentemente, o governo lançou o programa Voa Brasil, que previa a venda de passagens a R$ 200 para aposentados em voos de baixa ocupação. Entretanto, a demanda ficou abaixo do esperado: apenas 1% dos bilhetes disponíveis foi vendido.


