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Nutricionista nigeriana desenvolve cubo nutritivo para combater desnutrição infantil

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Segundo a ONU, a inflação recorde, os choques climáticos e os conflitos em curso (herança da colonização) devem elevar o número de pessoas em situação de insegurança alimentar para 33 milhões agora, no segundo semestre de 2025. Oito milhões a mais que no ano passado. Uma catástrofe anunciada, que deve atingir principalmente o noroeste do país, região que vive rebeliões há pelo menos 15 anos. E o mundo de braços cruzados!

No filme Diamante de Sangue, escutamos a seguinte frase: “Eu me pergunto se Deus alguma vez nos perdoará pelo que fizemos uns aos outros. Mas depois eu olho à minha volta e vejo que Ele já nos abandonou há muito tempo.” Só se for Deus — porque, pelo que me parece, todos querem tirar uma lasquinha daquele continente.

O Brasil, por exemplo, tem buscado estender seus tentáculos no mercado nigeriano, principalmente no agronegócio. Em 2024, exportou US$ 978,5 milhões para o país, com destaque para açúcares e melaços. Já as importações brasileiras da Nigéria somaram US$ 1,1 bilhão no mesmo período — sendo quase metade (48%) composta por adubos e fertilizantes químicos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Mesmo mergulhado no caos, o país acena com um mercado em crescimento significativo para as exportações brasileiras, devido à sua imensa população, urbanização acelerada e crescente demanda por alimentos processados e commodities agrícolas. Produtos como milho, soja, carnes e derivados lácteos podem encontrar oportunidades futuras — caso as barreiras comerciais sejam flexibilizadas.

Embora o presidente Lula seja um implacável defensor do combate à fome no mundo, me parece que os acordos bilaterais têm prioridade. Suprir as necessidades industriais e alimentares de um mercado faminto é mais lucrativo para a produção brasileira.

O Programa Mundial de Alimentos (WFP) está priorizando suas operações para alcançar 1,1 milhão de pessoas vulneráveis todos os meses no norte da Nigéria. Tomara que o sopão milagroso consiga matar a fome dessa gente!

Sobre o autor Livia Calmon

Jornalista com passagens pelas redações da TV Globo — São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais e Bahia —, da TV Record SP, Band SP e revista IstoÉ Gente. Produtora de Conteúdo de Campanhas Políticas e estudiosa da área da saúde

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